19 maio 2016

Já era

Já se deu conta o porquê faz o que faz? Já identificou a causa primeira que lhe faz ser efeito para geração de uma outra causa? Já se sentiu perdido? Já se sentiu deslocado em ambiente familiar? Já lhe ocorreu em seus pensamentos que você poder se uma fraude? Já lhe passou em sua mente a insegurança de escolher A, B ou C? Já imaginou que tudo isso pode ser sua imaginação? Já se imaginou diferente do que é? Já tentou ser diferente do que é? Já foi diferente do que é? Já agradeceu por ter aberto os olhos alguma vez? Já agradeceu por não ser mulher? Já agradeceu por não ser homem? Já agradeceu por ter um emprego? Já agradeceu por não tê-lo? Já fez  o que deveria ter feito? Já deixou de fazer? Já era ...

Já se perguntou por que escrevemos o que escrevemos?
Já tentou responder cada uma dessas perguntas que foram feitas?
Já descobriu o por quê?

Já houve momentos melhores e momentos piores, o que faz sentir que está no limbo, aguardando pelo melhor ou pelo pior. Fica ansioso com sua chegada, não pelo medo de se fuder literamente, ou pela pressa de gozar aquilo que te apetecerá, mas ansioso por não saber o que vem e saber que vem.

Já deixou de ser louco? Já foi louco? Já?

Pupilas dilatadas

As araucárias embelezam a paisagem das seis
com o crepúsculo de pano de fundo,
parecendo até que são sombras no muro.

Cogito em dizer sobre sua beleza,
mas o movimento não permite dizer
sobre a contemplação da natureza.

Observando outros passageiros,
percebo que não há mais ninguém
a contemplar.

Então observo pelas lentes transparentes
que há pupilas dilatadas evidenciando
o sentimento que não pode dizer,
que não a permite ver,
pois há muito mais beleza nas araucárias
que um crepúsculo mostra
depois de uma tarde ensolarada.

12 maio 2016

às vezes

Às vezes só queremos ter algo para escrever, algo interessante que possa fazer alguém querer ler, que minimamente nos faça regozijar no prazer de ler e reler, admirando o sentimento que ali contém, a lógica utilizada para subliminar aquilo que só jogadores são capazes de entender, descobrir.
Às vezes só queremos um pouco de atenção, não uma multidão, mas um ser em questão que mais do que amor lhe é gentil, querendo preservar-te.
Às vezes só queremos não estar onde estamos, deixar de estar, deixar ir, deixar, devir. Então, você lembra das contas à pagar, das responsabilidades à honrar, de um nome à zelar, de tudo um pouco que o mundo lhe cobra pela simples razão de existir na condição que existe, sobrevive.

Às vezes só queremos o "às vezes", pra variar, pra descontrair, para qualquer coisa que vir, mas, que venha acompanhada, bem acompanhada, com uma taça de vinho na mão e na outra segurança, segurando a mão da liberdade, sendo esta acompanhada de um sorriso monalísico, convidando-lhe para qualquer caso que às vezes acontece.

Às vezes só queremos que seja diferente

10 maio 2016

A inconsciência de se importar

Já não quero mais explicar, pois nunca consigo me fazer por entendido. Então, aceito como parte de mim, como sendo Eu mesmo, algo inerente ao meu ser que sem isso, não seria Eu.
"Tornar-te aquilo que és". Nietzsche

05 maio 2016

Mais um aniversário

Quinta-feira, 5 de maio de 2016, em muitos lugares dizem que estou completando 23 anos. Dou fé. Levanto da cama como habitualmente, me visto correndo, pego minha bolsa e me despeço de minha esposa, tudo sendo feito como habitualmente.
Encontro as pessoas no ponto e digo em alto tom "Bom dia", seguindo a rotina de sempre. Embarco no ônibus e novamente a ideia volta a minha cabeça.
"É seu aniversário! Você está fazendo 23 anos, o que tem mudado? O que há de diferente entre seus 22 e seus 23? E os seus 21? E seus 20? O que está diferente? Você está fazendo as mesmas coisas sempre!"
Paro de pensar nisso, mudo meu pensamento, me lembro que os pensamentos eram diferentes dos que são hoje, então, reconheço a mudança, mas, não sou hipócrita para acreditar que isso é decorrência do passar dos dias e que depois de + ou - 365 dias tenho uma grande revolução. Na verdade, acredito que esta revolução em um grande dia, como o aniversário, é possível, mas que pode ocorrer em qualquer dia, em qualquer momento, a qualquer hora, em qualquer lugar, de qualquer modo, não sendo necessariamente o dia em que completa mais um ano o dia da reviravolta.

Surge uma carência afetiva, uma necessidade de ser reconhecido por algo, de ser visto com olhos diferentes daqueles costumeiros olhares cansados de quem segue suas rotinas extenuantes, aclamando por uma interação que faça sair de sua rotina, sempre esperando pela ação do outro, com medo do julgamento. Então penso Como seria se eu dissesse ao mundo que hoje é meu aniversário de 23 anos? Diria "oi, sabia que hoje é meu aniversário?", aaah, idiota, é claro que a pessoa não sabe, ela não sabe nem mesmo o seu nome, nem onde você trabalha, nem nada. O máximo que ela sabe é que você pega o mesmo ônibus que ela. Sim, nesse momento me reconheço como um idiota, mas eu mesmo me conforto considerando a hipótese de que há outros idiotas como eu.

Quase chegando ao louvável e admirável ganha-pão recebo um SMS me felicitando pelo meu aniversário. Meu primeiro parabéns do dia, de minha mamãe. Todas aquelas palavras utilizadas para fazer você se sentir especial e tu não ter nem mesmo 1 real de crédito para poder agradecer o carinho de sua mãe. Que louvável e admirável, heim? Sigo o percurso.

Então, durante o resto do dia, por uma grande maioria, recebo aquelas felicitações clichês, mostrando que existe muitas pessoas que se importam, que são gentis, que cumprem um protocolo, que sentem vontade de uma interação diferente do bom dia, que sentem pena, enfim, que sentem ou seguem qualquer coisa, mas que no final das contas, não tem importância. Há alguns casos que são interessantes, pois parece irônico suas felicitações ou protocolar mesmo. Outras são bem incomuns do tipo "É hoje né, é hoje ...". Bom, o mais interessante de tudo é você está trabalhando com essas pessoas há quase 3 anos e sempre que faz aniversário ou alguma situação que requer sua idade, nunca sabem, sempre perguntam "quantos anos?". Não os culpo, só os denuncio. Não os culpo, pois também não sei a idade da maioria, ou talvez de ninguém, mas isso mostra a distância que temos uns dos outros. Interessante é que nas primeiras vezes eu disse 21, 22 e ... 28! Poise, eu menti e maior parte acreditou, ou fingiram ter acreditado só para não ter o trabalho de continuar a conversa.

Depois, entro na minha caixa de e-mail. É incrível como as empresas prestadoras de serviços online oferecem os 10% de desconto o ano inteiro e quando chega no seu aniversário eles dizem:
"Parabéns, feliz aniversário! Muitas felicitações para você. Por causa de seu aniversário estaremos te dando incríveis 10% de desconto na compra de qualquer coisa em nosso site".
Poise, o que eles oferecem o ano inteiro não faz diferença no dia do seu aniversário. O melhor presente que eles poderiam ter me dado é nada. Nenhum spam já seria muito útil.

Sim, meu dia de aniversário foi mais ou menos por ai, nada surpreendente. A noite, enquanto escrevo, está muito melhor, mas se deixo uma dica sobre o que me agrada, só escrevo duas palavras: dar risada.