07 janeiro 2018

Um lapso de memória

É incrível como uma imagem, ou uma palavra, pode representar um soco na boca do estômago.

Um soco na boca do estômago é previsível por alguns milésimos de segundo, suficiente para saber que você perderá o ar e se ajoelhará no chão desesperado para que seus pulmões recuperem todo o ar que agora foi esvaziado.

agora, quando uma palavra te dá um soco na boca do estômago, você não estava esperando.
Nem mesmo por um milionésimo de segundo!

você não se ajoelha, nem tenta recuperar o ar
porém, tenta recuperar a órbita que deixou quando foi trazido um amontoado de lembranças que estavam há um bom tempo dentro de caixas empoeiradas.

toda uma realidade passando em milionésimos de segundos
toda uma possibilidade de  história que deixou de ser e agora suscita ser qualquer coisa de algo.

ou aquela imagem que mexe com seus desejos mais profundos e estimula obscenidades idealizadas por um lapso de desejo?

tantas coisas acontecem com tantas coisas pequenas ...
tantas coisas pequenas fazendo acontecer tantas coisas ...

tanto de tão pouco, que faz total diferença
ou tudo que se tem que é a própria indiferença

sabe-se lá!

independentemente, se tu crês que nada é por acaso, então, tu farás o acaso de ser o que gostaria de ser um caso.

se não crês, fica a mercê da possibilidade de quem cria aquilo que idealiza

22 dezembro 2017

Direto e claro: Separação dos meus pais


Não há muitas fotos dos meus pais, principalmente deles juntos, porém acho esta foto muito interessante. Acho esta foto interessante por expressar a moda daquela época, talvez tirada em algum ano dos anos 80. As meias vermelhas combinando com a camisa vermelha e o copo com uma dose de Campari realçando o batom vermelho no sorriso de minha mãe. A parede azul em contraste com a base da mesa também azul em ressonância com as calças jeans de meu pai. A expressão feliz e contente de minha mãe ao sorrir para a foto com um sorriso tímido e contido de meu pai. Sim, acho esta foto bem interessante.

14 dezembro 2017

A dificuldade de se fazer algo para o todo e para todos

Nossas emoções e sentimentos são tão particulares, tão pessoais, tão íntimas que só dizem respeito a nós mesmos e mais ninguém.
Compartilhar isso com o todo e com todos é uma tarefa impossível.

Não que não seja possível retratar isso, pelo contrário, a escrita, os desenhos, a música entre outras variadas formas de manifestações artísticas estão aí para ajudar nesse processo de transmissão.
Entretanto, o entendimento que se tem a respeito de algo particular é também particular, de modo que deixa de ser o que era para ser aquilo que se é entendido.

Por isso, todo texto que escrevo, vídeos que faço entre outras coisas, pode ser captado de modos diferentes. O interessante é que quando se fala da superfície, ou seja, daquilo que aparenta, o coletivo compartilha uma ideia comum daquilo que interpreta (mesmo em muitos casos não havendo consenso ou unanimidade).

04 dezembro 2017

Razão sobrepõem emoção

Às vezes eu começo uma publicação escrevendo primeiro o título e depois o conteúdo. Geralmente quando faço isso acaba saindo uns posts merdas em que eu fico limitado e discorrer o assunto sobre aquilo que trata o título.
De vez em quando é bom fazer isso para testar a capacidade de ser direto e discorrer sobre uma limitação, pois no mundo da vida o que mais nos aparece são limitações, barreiras, regras, leis, meios de oposição e imposição ideológicas que de um modo ou de outro você terá que se submeter. A lei da vida também é a lei do mais forte.

01 novembro 2017

descarrego

Os dias parecem muito uns com os outros de modo que vale se perguntar se o que está fazendo de seu tempo, do seu dia, é algo que vale a pena ser vivido todos os dias.
É engraçado porque em alguns dias isso parece ter significado.
Às vezes parece que o dia todo teve valor, teve significado por um simples encontro, um beijo.
Outras vezes o dia parece ter tido significado pelo o que foi conversado, pelas projeções futuras.
Em outros casos por aquilo que foi feito, criado.

Cada um tem o seu jeito de ser, sua maneira de agir e pensar. Compartilhar ideias é adaptar seu mundo ao mundo do outro de modo que ele possa conhecer o seu. Nesse processo acontece um tipo de travessia, uma transição de um estado mental para outro. Se você não se dispor a atravessar, nunca conhecerá o outro lado.

Essa travessia é realizada através das palavras, dos gestos, das expressões. Para realizar é necessário atenção, dedicação, entrega. É importante lembrar que a travessia para este outro mundo também é diferente para cada mundo que se deseja acessar.

Eu me atrevo a dizer que muitas vezes eu ajudo as pessoas a fazerem a travessia para meu mundo, lhe dando sugestões, direcionando, dizendo e conduzindo como e de que forma deve-se realizar a caminhada para se chegar onde me encontro. Em alguns casos eu seguro pela mão e vou conduzindo a pessoa até ela chegar.
Porém, é muito importante para mim ver a pessoa trilhando esse caminho sozinho e, principalmente, por livre e espontânea vontade.
O que acontece é que em muitos casos as pessoas aguardam eu segurar novamente pela mão e trazer-lhes ao mundo, ou então que eu vá conduzindo de uma ou de outra forma. Acontece que sou uma pessoa sensível e as emoções e sentimentos me permeiam de modo a mudar meu comportamento e meus pensamentos. Então eu passo a observar em silêncio o que esta pessoa faz para chegar até mim, se é mesmo que ela deseja chegar até mim.

Nem todos os dias somos Carnaval, nem todos os dias somos Segunda-feira. O que acontece é que quando é Carnaval nós pulamos e nos divertimos; quando é Segunda-feira nós nos preparamos e encaramos o dia do melhor modo que conhecemos.

E escrevo o que escrevi por sentir-me distante de tudo e de todos, simplesmente desejando a companhia de algum ser que compreende, ou então, que simplesmente ame sem travas, sem medos.