24 março 2016

Quando há concordância em tudo


Pode saber, alguém está mentindo! Ou então seremos higienizados, valendo-nos do eufemismo, para dizer que alguém ou até mesmo os dois, dentro de um discurso, estão sendo desonestos. Ou então melhor, estão sendo educados em evitar uma discussão desnecessária, ainda mais tratando-se de um estranho. Ou então do seu chefe do trabalho, que qualquer "A" que sai de sua boca é verdade por razão dele ser chefe. Falácia apelo à autoridade. Até mesmo quando seu companheiro diz "Olha que massa" e você responde "Poise" ou nem responde nada, vácuo.
Poise ... em determinados momentos isso dá náuseas, em outros tristeza. Há pessoas que ficam muito chateadas quando são contrariadas, refutadas, quando a opinião do outro difere da dela e não é capaz nem de mudar de opinião e nem de fazer o outro mudar. Mas isso não é o pior, pois poderia em um ato polido dizer "Oh, infelizmente discordamos neste ponto. Deixemos de lado e debatamos isso em um momento em que estivermos mais maduros!", ou então "Nois não concorda com isso, melhor falar sobre outra coisa, né?". Normalmente acaba ficando em um ciclo vicioso criando o bate-boca e depois um dá as costas para o outro. Ou para não gerar a discussão, apenas concorda.


Mas concordar com algo que intimamente discorda, não seria mentir para o outro, e principalmente, mentir para você mesmo?

Geralmente é a estratégia mais cômoda, que permanece na zona confortável em que se pratica a normose, ou seja, aquilo que é normal as pessoas fazerem. Mas quem é que diz o que é normal e o que é anormal? Se dizer "a sociedade", devemo-nos lembrar quem são os integrantes de uma sociedade, ou seja, quem a faz. Devemo-nos lembrar como é a maior parte da sociedade e se queremos fazer parte da maior parte, da menor parte ou de parte nenhuma.

Admito que as conversas que eu mais aprecio parece um monólogo em que eu mais me ouço. Poise, eu gosto de falar. Mas também gosto do monólogo do outro. Claro, quando é interessante ouvir. Por isso, gosto do meu monólogo e do monólogo do outro, porque quando me ouço e percebo que o outro gosta de me ouvir, percebo-me como alguém interessante. Quando ouço-o por natural vontade (aqui excluísse a deliberação racional de se permitir ouvir, o que parece ocorrer mais frequentemente) é agradabilíssimo por sua própria natureza, independente do assunto, voz, forma, não interessa, é mais o que sinto com aquilo que ouço.
Sinto conforto: interessante, agradável, instigante, gostoso, vontade de ouvir mais.
Sinto desconforto: chato, inconveniente, entediante, irritante, vontade de ir embora.
Não há segredo. Não se faz necessário criar uma imagem que já tem por sua própria natureza, ou querer mudá-la por interesses do Ego. Claro, sabemos que os contextos serão os definidores das possibilidades de manifestar as verdadeiras opiniões sobre algo, com todas as letras. Mas venho fazer a critica da concordância generalizada por ser generalizada, por ser superficial e por se fazer presente mais vezes do que é necessário. Não esqueçamos que nossos corpos falam muito mais que nossas palavras, talvez por ter uma grande dificuldade em mentir, mas isso já e outro assunto.

Ah! Aproveito para dizer que todas as palavras que usamos pinta um quadro racional e até emocional do intelecto, inclusive da situação que cada ser passa, e por isso diria para tu ser menos controlado, principalmente quando reconhecer que a situação permite, para ter mais ciência de si mesmo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Enforque-se na corda da liberdade (Antônio Abujamra)